terça-feira, 3 de maio de 2016

Caos no Cosmos

Caos no Cosmos

Sempre tão arrumada, tão vaidosa. Batom vermelho escuro nos lábios, sombra nos olhos, conferindo aquele tal ar meticulosamente misterioso, sexy, que suga nossa atenção, agarra nosso olhar e não o solta. Magnetiza-nos sob seu controle. Uma femme fatale para todos os méritos.

Cabelo penteado com perfeição, apenas para que ela bagunce-o a todo momento, fazendo-lhe um movimento aleatório certa de que os fios todos lhes cairiam de novo no rosto de alguma forma charmosa, despojada. Era um faz-de-conta de “não estou nem atenta a esses meus gestos” que conferiam um charme indescritível. As unhas, sempre pintadas de uma cor sedutora... preto... vermelho... nunca aqueles azuis, amarelos ou verdes ridículos com os quais tantas garotas parecem se divertir pacas. Para ela, a diversão era o seu olhar. Ela sabia que era desejada, que eu e diversos homens e moças lhes atacariam com carícias caso ela desse algum sinal verde. Mas não poderia ser um “mínimo” sinal verde. Os “mínimos” dançavam no nosso olhar, nos convidando para um dueto ao mesmo tempo em que nos empurrando e fazendo que “não” com o indicador. Mais ou menos como o mar: suas ondas nos jogam e tragam o tempo todo. Assim como no mar, me sinto exausto quando passo muito tempo ao seu lado. Se a olhando então...

No dia onde minha memória se detém, sua unha estava pintada de preta. Seus cabelos são ruivos. Sua cor preferida: vermelho, refletido nas cores de suas roupas, sempre que possível. Li certa vez que vermelho e preto são cores que sinalizam perigo. Nada mais atraente do que a promessa de perigo em uma mulher.

Mas... nesse dia... havia algo diferente. As unhas estavam pintadas de preto, mas a do indicador estava... normal. Branca meio rosada. Nenhum adorno, nenhuma pintura. Normal. N-O-R-M-A-L. Mas que caralhos?! Como assim?! E ela nem falava a respeito! Gesticulava, conversava, seduzia com seu charme e seus gestos meticulosamente planejados (inconscientemente?) para te sugar, te colocar exatamente nas posições em que ela queria que você estivesse. Continuava agindo como se toda sua tinta estivesse intacta, como se ninguém pudesse notar aquele elemento de desordem na perfeição calculada.

Era uma fenda naquela fortaleza de sedução que deixava entrever que algo não estava completamente no seu lugar. Algo estava errado. Coincidentemente ou não, esse elemento de Caos no Cosmos conferia um sabor diferente àquele vinho que eu sorvia com os olhos. Um sabor que chegava a ser interessante. Algo como um elemento vindo de um abismo, um vislumbre em uma ruína, como toda a beleza que uma ruína pode ter.

Era um elemento de mortalidade, algo que conferia humanidade àquela figura.

Caos no Cosmos.

Lucas Wagner Alves Ribeiro Nunes
Goiânia, 13/06/2015




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