quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Você não estava com cabelos presos


Olhava o céu
Esse do Centro-Oeste,
No seu mosaico particular.
Lembrei de você,
E como dizia:
“Não há céu mais bonito que esse”

Esse aqui é especial.

Mas te vi olhando outro céu,
Espiando onde nasce o sol,
Sentado no topo de alguma montanha nevada.
Longe...
Tão longe...
Longe dos adolescentes falando dos Beatles,
Led Zeppelin,
The Doors,
Entre os muros brancos da escola.

Você não estava com os cabelos presos.
Deixou-os ao sabor dos ventos.
Os ventos do Oriente.
Fez do movimento dos seus cabelos a sua bússola.
Alma cosmopolita,
Cada veia do seu corpo é uma estrada diferente.
Conquista territórios,
Abre caminhos no seu ser.
Não olha para trás,
É cego à poeira em seu encalço.

Me encho de orgulho,
Mas o aperto no meu peito indica tristeza.
Quero um dia te alcançar,
E juntos fumarmos algum tabaco especial da Índia,
Tomarmos um café raro do Tibet,
Ou um saquê num bar furreca do Japão.

Quando te encontrar,
Atarei as pontas com quem fui,
E com quem seguirei mudando.
Me fazendo um mapa de escalas diminutas.
Tendo seus cabelos como bússola.

Lucas Wagner Nunes
Goiânia, 28/08/2016