sexta-feira, 3 de julho de 2015


Crítica:

O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator: Genisys / 2015 / EUA)

Direção: Alan Taylor

Com os já clássicos Exterminador do Futuro de 1984 e 1991, James Cameron criou não apenas revolucionários filmes de ação em termos de efeitos digitais e práticos, mas verdadeiras obras primas quando desenvolvia memoráveis personagens e uma rica mitologia que ganhava uma conclusão impecável ao final do segundo filme. Não precisava de mais. Mas, na tentativa de esguichar dinheiro ao máximo, dois filmes ruins foram forçados no universo criado por Cameron, e agora um simplesmente lamentável mata de vez a franquia.

O que assusta, no entanto, é Gênesis conseguir ser tão ruim. Afinal, o longa de Alan Taylor apresenta um primeiro ato que aparentemente enriquece o universo da franquia. Os longos créditos inicias dão um tom que mixa curiosidade e melancolia, e os planos repetidos com detalhes de acordo com o filme de 84, quando o exterminador e Reese viajam no tempo, despertam uma nostalgia deliciosamente quebrada pelo tom de reboot que o filme então assume, no momento em que descobrimos uma Sarah Connor com o exterminador interpretado por Arnold Schwarzenegger como seu sidekick, e toda a trama que explica essa parceria. 
A partir daí, as coisas desandam de um modo absurdo. Gênesis começa a tentar complicar demais a trama, adicionando uma quantidade tão abundante de variáveis que a narrativa fica insustentável, ainda mais quando os roteiristas recheiam os diálogos com explicações pseudo-científicas de baboseiras “quânticas” que soam ridículas mesmo para quem nada entende do assunto. Pior do que isso, no entanto, é a insistência do roteiro de martelar as informações jogadas para cima do espectador, repetindo-as à exaustão como se para ter certeza que vamos captar a ideia, enquanto na verdade só reforça a estupidez que consegue descartar mesmo argumentos atraentes como aquele que trás os tablets e smart-phones para o universo de dominação tecnológica da série. Isso tudo sem contar que toda a importância da batalha épica do clímax do segundo filme é desperdiçada por uma narrativa que insiste na ideia de que a Skynet ainda não foi destruída.
E, se não é sustentado por uma trama minimamente palatável, os personagens conseguem decepcionar ainda mais, mesmo quando nos dois últimos filmes esse aspecto não tinha sido problema. Aqui, já somos apresentados a uma versão bombadinha desbarbada de Kyle Reese na pele do inexpressivo Jay Courtney que em nada lembra o subnutrido traumatizado interpretado por Michael Biehn em 1984, esse sim que parecia um verdadeiro sobrevivente da Resistência. Isso fica pior quando essa patética versão de Reese insiste em briguinhas da pior faceta do clichê “casal que briga mas se ama” com uma versão de Sarah Connor que, mesmo nas mãos da talentosa Emilia Clarke, apresenta-se frágil e diametralmente oposta à inesquecível e brutal composição de Linda Hamilton nos originais. Até mesmo Schwarzenegger, por mais carisma que tenha, se torna apagado quando o roteiro lhe força um papel de coadjuvante que magicamente sabe todas as informações o tempo todo, o que é ainda mais lamentável já que lhe impede de criar uma dinâmica emocional convincente com Clarke.
Mas nem mesmo enquanto filme de ação Gênesis funciona, e seus tiroteios e perseguições conseguem tornar a experiência ainda mais cansativa na medida em que não apenas força a barra com momentos inverossímeis, mas apelam para o cúmulo da estupidez em sequências como a perseguição acrobática de helicópteros no terceiro ato. Lembrando que os filmes de Cameron, em especial O Julgamento Final, contavam com sequências de ação grandiosas, mas nunca inverossímeis, e mesmo seu humor funcionava, algo que, toda vez que Gênesis tenta, apenas dá vontade de fechar os olhos e fingir que é apenas um pesadelo.
Particularmente, toda vez que termino de ver o filme de 1984 me assalta uma sensação de assombro acompanhando o plano de Connor dirigindo em direção a uma tempestade (real e metafórica), enquanto o fim de O Julgamento Final sempre me deixa com uma profunda melancolia de verter lágrimas. É triste constatar como, ao final desse Gênesis, já estava com celular, carteira e chaves do carro na mão, desesperado para ir embora, ainda mais em um ano que trouxe competentes retornos a clássicos como Jurassic Park e, principalmente, Mad Max.

Lucas Wagner Alves Ribeiro Nunes
04/07/2015