É sentindo-me lisonjeado que cedo espaço no blog para o poema de um grande
amigo, que preferiu ser identificado apenas por suas iniciais.
Assimétrico
Os quadros foram e são o que sempre serão após:
Assimétricos
conglomerados poéticos,
Perdidos e esquecidos.
Mas nunca tão vivos,
nunca tão vivos quanto nós.
Meus olhos passeiam por vós,
Assim, métricos,
Desastrados protótipos de nós próprios,
Arquétipos da desconstrução,
Estereótipos perfeitos da revolução.
Mas os quadros foram e são o que sempre serão após.
Pois me vesti de tu, tatu,
A alma e o corpo,
Como que para tomar um banho,
Que acabei tomando de azul.
Disseram-me que essa é a cor mais quente,
E que o mesmo fogo que ilumina e aquece,
Consome e some,
Que tem fome,
Fome do que tece
Como a Aranha de Gil
Que de perto viu
Todas as maravilhas do Oriente.
Cuidado, cuidado que o fogo é quente,
Cuidado, que se alimenta da gente!
Mas se esquente, se esquente,
nem que para isso fiques ébrio,
cambaleando, inconsequente, inconsciente,
Um passo pra cá,
dois passos pra lá,
Patético,
Assim,
Assimétrico.
R.
V. N. (2015)