segunda-feira, 30 de maio de 2016

Hora dos Cansaços

Hora dos Cansaços

Sempre apreciei mais as interações cotidianas noturnas.
Há algo que aproxima
Nos olhos sonolentos
Corpos exaustos
Modos mais comedidos
De quem esteve o dia todo a trabalhar.

Algo das armaduras e gestos charmosos ao outro,
Constantes propagandas de si,
Feitas nos encontros diurnos.
Vendas de partes de quem somos,
Ilusões atraentes que criamos.

Isso tudo decanta
Nos copos de interação,
Sob alguma pálida luz amarelada.
A publicidade de nós mesmos,
As moléculas de auto-propaganda,
Em movimentação intensa durante o dia,
Esfriam com o sereno.
Dão lugar ao denominador comum dos seres.

A hora
É a Hora dos Cansaços,
Dos Cansados.

O cheiro é diferente.
Os perfumes mais fortes,
Cabelos molhados de banhos improvisados no final da tarde,
Mal escondem o suor,
A verdadeira tinta dos dias.
É um cheiro que prenuncia o repouso.

Há algo de profundamente íntimo nessas interações noturnas.
Brechas fisiológicas que impedem os indivíduos
De continuar a propaganda.

O filtro das existências.
O filtro que nos aproxima.
Nosso denominador comum.

Lucas Wagner Nunes

Goiânia, 29/05/2016

sábado, 7 de maio de 2016

Crítica: Capitão América: Guerra Civil

Crítica:

Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War / 2016 / EUA)

Direção: Anthony & Joe Russo

Por mais que seja divertido reclamar dos filmes da Marvel há que se admitir que pelo menos existe atenção por parte da produtora em levar em conta algumas das críticas mais frequentes aos seus filmes. Se antes falava-se sempre da falta de espaço ao desenvolvimento individual dos personagens, já desde talvez Os Vingadores: A Era de Ultron cada herói ganhou mais tempo e estofo emocional. E se houve bastante reclamação voltada para a desconsideração do número absurdo de mortes civis que as brigas entre heróis e vilões com certeza causavam, desde Capitão América: Soldado Invernal começou um movimento de preocupação em justificar tematicamente essa “higienização” das cenas de ação por motivos de censura.

O que nos trás a Guerra Civil, onde os realizadores tem a sacada de pegar justamente a questão envolvendo essa última crítica aos filmes anteriores para usá-la como motor principal da narrativa. Curiosamente, o recente Batman Vs. Superman teve a mesma ideia frente às críticas feitas ao Homem de Aço de 2013. Mas as comparações terminam aqui. Se o último filme de Zack Snyder acaba se revelando uma bagunça nonsense com ares de Michael Bay, o novo filme da Marvel trilha um caminho bem mais coeso, muito embora abandone qualquer sinal da ambição temática que introduziu para guiar rumos bem mais confortáveis.

Como sinopses e trailers já revelaram, a destruição e as mortes de inocentes contingentes às tentativas de “salvar o mundo” por parte dos Vingadores já não poderia ser ignorada pela ONU ou mesmo pelos próprios heróis, que passam a ser assombrados por seus feitos. E aqui ocorre a tal cisão no grupo que leva à guerra civil. O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely começa investindo na trama sobre a tentativa de colocarem os Vingadores sob controle governamental, e desvela um caminho interessantíssimo para seguir daí. Obviamente, existem diversas questões a serem tratadas quanto ao assunto, tematicamente: a tentativa de retirar o caráter privado da organização dos heróis é compreensível mas certamente levantaria uma série de problemas envolvido simplesmente em transformarem os Vingadores em alguma espécie de objeto sujeito à ONU. Como se posicionar frente a essas questões e os sacrifícios necessários se um acordo desse tipo fosse assinado? Quais os argumentos de cada lado do embate entre os heróis? E como encaram a responsabilidade por seus erros colaterais?

Questões que o roteiro não chega a explorar. Ao invés disso, uma trama envolvendo novamente o Soldado Invernal toma conta da narrativa, e abafa a questão da alteração da privatização da agência. Mas a disputa “ideológica” firmada entre Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Steve Rogers (Chris Evans) continua, e é curioso pensar que ela poderia ser bem resolvida na base do diálogo. Se simplesmente houvesse sequer tentativa de Rogers dialogar com Stark e explicar a urgência da situação onde acaba envolvido, sobre a existência de mais soldados invernais controlados pela “Hidra” e que são ameaça pulsante, e toda a necessidade redirecionamento da ação para isso... bem, continuaria seria sem graça (ainda há o abandono da trama mais complexa), mas ao menos haveria maior coerência narrativa. Infelizmente, já sabemos que uma configuração assim não poderia acontecer na Marvel. O que fica é a sensação de personagens que não estão se entendendo e preferem conversar na base da porrada.

O que serve de pretexto pra diversas cenas de ação, enquanto a trama vai simplificando até o limite do simplismo. Novidade nenhuma no cinema da Marvel (vide Capitão América: Soldado Invernal), onde a aparência de complexidade na trama serve mais como verniz para algo bem irrisório. Aqui pode haver a boa intenção ao introduzir um tema complexo, mas larga-lo na metade da trama, ainda mais tendo um vilão que, no fim das contas, pouco altera efetivamente os rumos da narrativa, tira de Guerra Civil uma série de pontos que o enriqueceriam enormemente. E se o roteiro busca nas motivações do vilão uma tentativa de atar as pontas do roteiro com a discussão iniciada, o remendo ainda fica frouxo diante do filme como um todo.

Ao menos no outro ponto citado no primeiro parágrafo o longa decepciona menos. Há espaço razoável para desenvolvimento de personagens aqui, além de introduzir outros nesse universo de forma dinâmica e interessante, apesar de, analisando friamente, servirem apenas de amostras de possíveis novos filmes envolvendo esses heróis. Independente disso, Homem-Aranha, Pantera Negra e Homem Formiga (personagem bom de um filme-título ruim) são adições refrescantes ao universo, sendo ainda uma lufada de ar fresco na cara não precisar ver de novo a história de origem do Aranha para poder aproveitar suas acrobacias e seu carisma. No elenco já estabelecido, os atores continuam aproveitando o espaço que tem para ao menos reafirmar o carisma e individualidade de seus personagens, com um destaque talvez para Robert Downey Jr., que aqui confere um peso dramático ímpar à Stark e dá dimensão a seus dilemas, mesmo lidando com uma trama ingrata que o obriga, logo na sua primeira aparição em cena, ao absurdo de uma terapia em público para apresentar a nova tecnologia desenvolvida pela Stark Industries.

E ainda, apesar de todos os “poréns” de Guerra Civil, talvez seja um filme que valha a pena conferir ao menos para se divertir com cenas de ação que sabem explorar a coordenação dos poderes dos heróis quando agindo em grupo, ou o uso de suas habilidades especiais para quando lutam um contra o outro, e confesso ter genuinamente adorado o momento em que Homem Formiga entra na armadura de Stark para atingi-lo de dentro para fora.

De qualquer forma, diferente de um filme dos X-Men, por exemplo, acovarda-se diante da possibilidade em fazer um filme excepcional com discussões temáticas ambiciosas para se submeter ao fato de que qualquer fã dos quadrinhos vai delirar, com trama rica ou não. No fim, acabou sendo apenas mais um filme bem esquecível.

Lucas Wagner Alves Ribeiro Nunes

Goiânia, 07/05/2016

terça-feira, 3 de maio de 2016

Caos no Cosmos

Caos no Cosmos

Sempre tão arrumada, tão vaidosa. Batom vermelho escuro nos lábios, sombra nos olhos, conferindo aquele tal ar meticulosamente misterioso, sexy, que suga nossa atenção, agarra nosso olhar e não o solta. Magnetiza-nos sob seu controle. Uma femme fatale para todos os méritos.

Cabelo penteado com perfeição, apenas para que ela bagunce-o a todo momento, fazendo-lhe um movimento aleatório certa de que os fios todos lhes cairiam de novo no rosto de alguma forma charmosa, despojada. Era um faz-de-conta de “não estou nem atenta a esses meus gestos” que conferiam um charme indescritível. As unhas, sempre pintadas de uma cor sedutora... preto... vermelho... nunca aqueles azuis, amarelos ou verdes ridículos com os quais tantas garotas parecem se divertir pacas. Para ela, a diversão era o seu olhar. Ela sabia que era desejada, que eu e diversos homens e moças lhes atacariam com carícias caso ela desse algum sinal verde. Mas não poderia ser um “mínimo” sinal verde. Os “mínimos” dançavam no nosso olhar, nos convidando para um dueto ao mesmo tempo em que nos empurrando e fazendo que “não” com o indicador. Mais ou menos como o mar: suas ondas nos jogam e tragam o tempo todo. Assim como no mar, me sinto exausto quando passo muito tempo ao seu lado. Se a olhando então...

No dia onde minha memória se detém, sua unha estava pintada de preta. Seus cabelos são ruivos. Sua cor preferida: vermelho, refletido nas cores de suas roupas, sempre que possível. Li certa vez que vermelho e preto são cores que sinalizam perigo. Nada mais atraente do que a promessa de perigo em uma mulher.

Mas... nesse dia... havia algo diferente. As unhas estavam pintadas de preto, mas a do indicador estava... normal. Branca meio rosada. Nenhum adorno, nenhuma pintura. Normal. N-O-R-M-A-L. Mas que caralhos?! Como assim?! E ela nem falava a respeito! Gesticulava, conversava, seduzia com seu charme e seus gestos meticulosamente planejados (inconscientemente?) para te sugar, te colocar exatamente nas posições em que ela queria que você estivesse. Continuava agindo como se toda sua tinta estivesse intacta, como se ninguém pudesse notar aquele elemento de desordem na perfeição calculada.

Era uma fenda naquela fortaleza de sedução que deixava entrever que algo não estava completamente no seu lugar. Algo estava errado. Coincidentemente ou não, esse elemento de Caos no Cosmos conferia um sabor diferente àquele vinho que eu sorvia com os olhos. Um sabor que chegava a ser interessante. Algo como um elemento vindo de um abismo, um vislumbre em uma ruína, como toda a beleza que uma ruína pode ter.

Era um elemento de mortalidade, algo que conferia humanidade àquela figura.

Caos no Cosmos.

Lucas Wagner Alves Ribeiro Nunes
Goiânia, 13/06/2015




domingo, 1 de maio de 2016

Crítica: Ave, César! (Hail, Caesar! / 2016 / EUA)


Crítica:

Ave, César! (Hail, Caesar! / 2016 / EUA)

Direção: Joel & Ethan Coen

De uma estátua de Cristo na cruz, corta-se para o crucifixo afixado ao terço do angustiado Eddie Mannix (Josh Brolin). Cristo é uma imagem, e através de sua imagem, seja a divindade “real” ou não, ele se faz presente na vida daquele sujeito.

Essa é a primeira cena de Ave, César!, que logo dá lugar à Mannix impondo-se perante a atriz hollywoodiana que posa despretensiosamente a um fotógrafo. A figura da atriz é um produto, e o uso de sua imagem, uma mercadoria. Além de mercadoria, a imagem promove discursos. Qualquer imagem ou articulação destas. Isso o Cinema norte-americano sempre sacou muito bem, e fez uso efetivo do recurso audiovisual enquanto linguagem, e não apenas nos filmes. Joel e Ethan Coen, cineastas de humor ácido e visão afiada, lançam uma lente perspicaz sobre o próprio Cinema e o que vem a ser a imagem enquanto linguagem.

Acompanhando Mannix em uma série de eventos caóticos envolvendo o sequestro de um ator famoso, problemas de diretores com seus atores, polêmicas e fofocas, além de uma reunião com líderes religiosos de divergentes vertentes para discutir um filme sobre Cristo, os irmãos Coen tem o ambiente ideal para trabalhar suas reflexões, já que o personagem de Josh Brolin é uma espécie de empresário cuja função é justamente fazer o manejo das imagens que são divulgadas para o público e o discurso que elas criam. Pois o espetáculo promovido pelo Cinema não está somente nos filmes, mas igualmente em toda a mitologia criada em torno das figuras nos bastidores do processo cinematográfico.

À guisa de exemplo, uma atriz grávida e solteira deve ter um marido para sustentar uma imagem de inocência que é vendida para o público. O que é lido e sabido sobre ela é tão entretenimento quanto o filme em que atua, e as possíveis facetas sobre aquela mulher devem ser especificadas para os consumidores das imagens. É um diálogo que se cria a partir do que se mostra. O que é uma questão já clássica no que concerne o Cinema enquanto Arte e Filosofia. Como não poderia deixar de ser (dado o momento histórico em que se passa, e o seu tema), Avé, César! explora o modo como a Sétima Arte se encontra articulada nos processos envolvendo capitalismo e comunismo, servindo de veículo para ideais e símbolos. O que é ainda mais interessante, no entanto, e que não poderia deixar de acontecer num filme dos Coen, as contradições se fazem presente de modo ainda mais pulsante, e aqui elas se fazem discursos a partir das imagens, como quando, por exemplo, os comunistas se reúnem para seu grupo de estudo em uma luxuosa residência à beira da praia. O que não significa que o capitalismo seja visto com olhos menos satíricos pelos diretores, e a todo momento perpassa questões do uso da imagem para promover ideologias envolvendo o American Way Of Life, e as lutas de Mannix para manter essa imagem e evitar as contradições que pululam constantemente nos bastidores de Hollywood.

E não é apenas nos meios cinematográficos que essas reflexões pairam. Os Coen aprofundam sua reflexão sobre as imagens a partir de elementos que as colocam como fundadoras de “realidades” no próprio cotidiano das pessoas comuns, e é singular o momento onde Mannix coloca um modelo de avião e um uniforme de aeromoça no quarto de seus filhos, talvez como um início de construção de um “mundo” baseado na aviação (possível novo emprego do pai) e não mais no Cinema, onde a revólver de brinquedo no coldre pendurado na cama do filho evidencia um passado de construção de ideário imagético baseado na profissão de Mannix. Para além disso, outros momentos chamam atenção no quesito da imagem enquanto discurso, merecendo destaque talvez o que envolva o jantar de Hobie Doyle (Ehrenreich) e Carlotta Valdez (Osorio), quando o primeiro reforça/vende sua imagem de “cowboy  no meio urbano” ao mesmo tempo em que, com a inocência infantil que nos conquista no personagem, desconstrói seu charme de ícone ao mostrar que usa uma dentadura no lugar dos dentes. Um momento que lembra o quão encantador é o modo como os irmãos Coen desenvolvem e brincam com as personalidades de seus personagens.

O que também acontece com Mannix. Interpretado por Josh Brolin como um homem exausto pelo peso que carrega cotidianamente, o protagonista é um personagem típico dos Coen: um sujeito comum lançado no absurdo que de súbito o rodeia. É interessante que Mannix mantenha um quadro emoldurado com os estúdios em seu escritório, onde domina com certa tranquilidade, mas que se veja engolido pelos enormes balcões dos estúdios em escala real, em um plano sagaz dos diretores. O personagem, provavelmente o mais angustiado em todo o elenco, é atormentado pela própria questão central do longa, já que se vê pressionado constantemente pelo desejo de construção de uma auto-imagem que não entre em tantas contradições. O mais curioso é que é uma auto-imagem apenas para si, como “se vendendo para si mesmo”. E se deixarmos de lado que Mannix se angustia, no fim das contas, pelo que é o denominador comum da “experiência humana” – a contradição –, ainda podemos nos compadecer do personagem se pensarmos que tenta desesperadamente manter-se como elemento honesto, verdadeiro, em um mar de ficções e construções de “realidades” onde trabalha todos os dias. Sua ida diária ao confessionário da Igreja é assim uma tentativa de anular suas contradições, seus pecados, ou mesmo pecadilhos, assim como um atestado para si mesmo do que vê como incompetência, o que a forma como “dispensa” o padre em um momento-chave da projeção é uma prova dessas reais funções da religião em sua vida.

E não é que essas discussões filosófico-existenciais façam de Ave, César! um filme sisudo. Estamos falando dos irmãos Coen, afinal de contas, capazes de veicular as mais profundas ideias a partir do humor e da sátira. Aqui, passeando desde a comédia sutil até a mais escrachada, os irmãos constroem uma obra que estabelece a contradição enquanto diálogo. Ora, conhecendo os irmãos e seu prazer em distorcer gêneros, acho difícil enxergar o longa como uma visita nostálgica à Hollywood clássica, apesar de manter uma forma onde se enaltece o caráter “cinematográfico”, seja a partir das cores fortes e distantes da realidade, dos cenários digitais que nem arriscam o realismo, ou uma narração em off. Até mesmo as várias sequências que emulam gêneros cinematográficos estabelecidos (como o melodrama, o western e o musical) vem acompanhados de constantes lembretes visuais da ficcionalidade do que vemos, apesar dos diretores brincarem deixando a câmera viajar livre pelo ambiente do “filme dentro do filme”, ignorando que tem alguém filmando aquilo. É interessante que esse caráter de “falso” que os Coen buscam reforçar seja a forma onde se encontra o conteúdo que questiona justamente essa forma. Se pensarmos na brilhante sequência musical dos marinheiros lamentando o distanciamento das mulheres, e como não tarda para que os movimentos emulem sexo homossexual, entendemos, ou podemos imaginar, onde os irmãos talvez tentem chegar.

O que é sempre um exercício curioso. Como de praxe na filmografia dos Coen, Ave, César! ressalta a futilidade das ações dos personagens com destinos espúrios que nos fazer questionar o a razão de todos os conflitos que acabamos de assistir. Uma questão comum tanto a nós quanto aos personagens. O que faz até sentido dentro da obra, onde dois personagens específicos são mantidos nas sombras: o chefe de Mannix e o ator que interpreta Jesus. O chefe é como uma divindade: não deve ser questionado e nem decepcionado. Jesus é também uma divindade, mas a única forma de presença que temos dele é a partir das imagens construídas sobre ele. Mais ou menos como o chefe. Dois arquitetos de um espetáculo que, no fim das contas, não significa nada, apesar de criar tantos significados. O que é engraçado se lembrarmos que não é o personagem de Jesus que não aparece, mas sim do ator que o interpreta dentro do filme.

O que nos leva ainda a outro, e mais essencial, questionamento: por quê tanta fritação, tanta significação dos elementos do filme? Não sei, embora imagine que os diretores devem se divertir à beça em cima disso. Mas enfim, seja como comédia de entretenimento, possível filme de homenagem ou questionamento crítico da imagem enquanto discurso, Ave, César! é certamente é mais um exemplo da capacidade de Joel e Ethan Coen criarem um Cinema multifacetado e extremamente divertido.

Lucas Wagner Alves Ribeiro Nunes
Goiânia, 01/05/2016