quinta-feira, 17 de março de 2016

Despedidas ou Nascimentos de Fantasmas


Eu olhava para ela como quem olharia um fantasma,
Que translúcido emitia suas últimas faixas de luz
Antes de tomar por morada minha memória.

O silêncio foi começando a ficar alto demais,
Abafando o som do que antes eram bocas e dedos que não paravam de tagarelar.
Comecei a me perceber surdo.
O silêncio estava me ensurdecendo.

Quis gritar.
Esguelar.
Berrar.
Urrar.

Quis expulsar o som dos meus pulmões com ventos ciclônicos,
Quem sabe no som dos destroços ela me escutaria.

Mas o silêncio era alto demais,
Preenchia todas as lacunas,
Entrava por todos os Entres.
Roubava minha voz,
E a perdia para sempre,
No abismo das gargantas.

Ela se virou e me olhou com olhos que diziam mais alto do que o silêncio.
Mas eu não conseguia entender.
Eu não falo essa língua,
A língua das interações,
A língua dos conflitos,
Das batalhas,
Do sangue,
Das colisões de vidas.
A língua dos olhos...

Uma luz roxa deita sobre nós,
Vinda não sei d’onde,
Resplandecendo e fazendo brilhar o chão polido
Refletindo com mais força nos olhos.

Lágrimas dançavam nos olhos ressequidos,
Abriam caminho pelo rosto.
Formavam vias que antes não existiam.
História escrita com lágrimas que inundavam os antes incontidos sorrisos.
Afogavam lembranças,
Náufragas.

Ela retira os olhos de mim.
De alguma forma o que precisava ser dito o foi.
Ondula imaterialmente por instantes.
Sumindo dentro da luz roxa que nos encobria.

Lucas Wagner Alves Ribeiro Nunes

Goiânia, 20/12/2015

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