Eu olhava para ela como
quem olharia um fantasma,
Que translúcido emitia
suas últimas faixas de luz
Antes de tomar por
morada minha memória.
O silêncio foi
começando a ficar alto demais,
Abafando o som do que
antes eram bocas e dedos que não paravam de tagarelar.
Comecei a me perceber
surdo.
O silêncio estava me
ensurdecendo.
Quis gritar.
Esguelar.
Berrar.
Urrar.
Quis expulsar o som dos
meus pulmões com ventos ciclônicos,
Quem sabe no som dos
destroços ela me escutaria.
Mas o silêncio era alto
demais,
Preenchia todas as
lacunas,
Entrava por todos os Entres.
Roubava minha voz,
E a perdia para sempre,
No abismo das
gargantas.
Ela se virou e me olhou
com olhos que diziam mais alto do que o silêncio.
Mas eu não conseguia
entender.
Eu não falo essa
língua,
A língua das
interações,
A língua dos conflitos,
Das batalhas,
Do sangue,
Das colisões de vidas.
A língua dos olhos...
Uma luz roxa deita
sobre nós,
Vinda não sei d’onde,
Resplandecendo e
fazendo brilhar o chão polido
Refletindo com mais
força nos olhos.
Lágrimas dançavam nos
olhos ressequidos,
Abriam caminho pelo
rosto.
Formavam vias que antes
não existiam.
História escrita com
lágrimas que inundavam os antes incontidos sorrisos.
Afogavam lembranças,
Náufragas.
Ela retira os olhos de
mim.
De alguma forma o que
precisava ser dito o foi.
Ondula imaterialmente
por instantes.
Sumindo dentro da luz
roxa que nos encobria.
Lucas
Wagner Alves Ribeiro Nunes
Goiânia,
20/12/2015

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