segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ciclônico



Sobrava apenas leve sopro
Do que foi impiedosa ventania.
Árvores tortas,
Vítimas do vento.

Não visto,
Não tocado,
Apenas sentido.
Corpos desmembrados,
Carros capotados,
Parques infantis destruídos,
Crianças atravessadas por enferrujados ferros de brinquedos.

Rios de lágrimas secadas pelo invisível.
Frequente dor nos ossos do frio que ultrapassa a pele.
Uivo fantasmagórico do vento entre destroços.
Terra vermelha revirada.

A garota sentada no tronco tombado da um dia frondosa Árvore.
O vestido, antes amarelo,
Agora com sujeira vermelha e azul
Misturadas
Deixando manchas roxas,
Que jamais poderiam ser removidas.

Lágrima escorre dos olhos azuis,
Criando trilha branca na pele suja.
Escorrega pela boca crispada,
Lábios cortados.
A gota se ramifica.

Passa pelo queixo e cai na mão da garota,
Escorre através de seus dedos,
Encontrando a rosa vermelha amassada na mão fechada.
A gota morre escorrendo pela flor.

Lucas Wagner Alves Ribeiro Nunes
Goiânia, 14/12/2015

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