Hora dos Cansaços
Sempre apreciei mais as
interações cotidianas noturnas.
Há algo que aproxima
Nos olhos sonolentos
Corpos exaustos
Modos mais comedidos
De quem esteve o dia
todo a trabalhar.
Algo das armaduras e
gestos charmosos ao outro,
Constantes propagandas
de si,
Feitas nos encontros
diurnos.
Vendas de partes de
quem somos,
Ilusões atraentes que
criamos.
Isso tudo decanta
Nos copos de interação,
Sob alguma pálida luz
amarelada.
A publicidade de nós
mesmos,
As moléculas de
auto-propaganda,
Em movimentação intensa
durante o dia,
Esfriam com o sereno.
Dão lugar ao
denominador comum dos seres.
A hora
É a Hora dos Cansaços,
Dos Cansados.
O cheiro é diferente.
Os perfumes mais
fortes,
Cabelos molhados de
banhos improvisados no final da tarde,
Mal escondem o suor,
A verdadeira tinta dos
dias.
É um cheiro que
prenuncia o repouso.
Há algo de
profundamente íntimo nessas interações noturnas.
Brechas fisiológicas
que impedem os indivíduos
De continuar a
propaganda.
O filtro das
existências.
O filtro que nos
aproxima.
Nosso denominador
comum.
Lucas
Wagner Nunes
Goiânia,
29/05/2016
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