segunda-feira, 30 de maio de 2016

Hora dos Cansaços

Hora dos Cansaços

Sempre apreciei mais as interações cotidianas noturnas.
Há algo que aproxima
Nos olhos sonolentos
Corpos exaustos
Modos mais comedidos
De quem esteve o dia todo a trabalhar.

Algo das armaduras e gestos charmosos ao outro,
Constantes propagandas de si,
Feitas nos encontros diurnos.
Vendas de partes de quem somos,
Ilusões atraentes que criamos.

Isso tudo decanta
Nos copos de interação,
Sob alguma pálida luz amarelada.
A publicidade de nós mesmos,
As moléculas de auto-propaganda,
Em movimentação intensa durante o dia,
Esfriam com o sereno.
Dão lugar ao denominador comum dos seres.

A hora
É a Hora dos Cansaços,
Dos Cansados.

O cheiro é diferente.
Os perfumes mais fortes,
Cabelos molhados de banhos improvisados no final da tarde,
Mal escondem o suor,
A verdadeira tinta dos dias.
É um cheiro que prenuncia o repouso.

Há algo de profundamente íntimo nessas interações noturnas.
Brechas fisiológicas que impedem os indivíduos
De continuar a propaganda.

O filtro das existências.
O filtro que nos aproxima.
Nosso denominador comum.

Lucas Wagner Nunes

Goiânia, 29/05/2016

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